quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Terceiro Selo, o Cavalo Negro e a Fome Mundial

Apocalipse 6
5 E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão.
6 E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.


Crise do preço de alimentos ameaça crescimento e segurança--ONU

Por Daniel Flynn

ACRA (Reuters) - A alta global dos preços dos alimentos ameaça os esforços mundiais contra a pobreza e, se não for enfrentada de forma apropriada, pode afetar o crescimento e a segurança de todo o mundo, disse neste domingo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Abrindo uma conferência da ONU em Acra sobre comércio e desenvolvimento, Ban prometeu usar toda a força da entidade que comanda para combater o aumento de preços dos alimentos, que ameaça elevar a fome e a pobreza e que já é causa de revoltas na Ásia e na África.

"Eu vou imediatamente estabelecer uma força-tarefa de grandes especialistas e levarei as autoridades a avaliar o tema", afirmou Ban.

O líder da ONU alertou no encontro da Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) que o forte aumento desde o ano passado dos preços de alimentos essenciais como cereais pode apagar o progresso da ONU obtido com a meta de reduzir pela metade a pobreza no mundo até 2015.

"O problema dos preços globais de alimentos pode significar sete anos perdidos... para as Metas do Milênio", disse. "Corremos o risco de voltar à estaca zero."

Ban apontou que muitos países tentaram compensar a crise com a proibição das exportações de arroz e trigo ou com a adoção de incentivos para facilitar importações, ameaçando prejudicar o comércio internacional e agravar a escassez.

"Se não for enfrentada de forma apropriada, essa crise pode resultar em uma série de outras... e se tornar um problema multidimensional que afeta o crescimento econômico, o progresso social e mesmo a política de segurança em todo o mundo", acrescentou o secretário-geral da ONU.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou que a alta nos preços dos alimentos poderia levar pelo menos 100 milhões de pessoas para a pobreza em países de baixa renda.

Grã-Bretanha pede 'ação coordenada' para conter preço de alimentos

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou nesta terça-feira que a crise causada pelo aumento de preço dos alimentos ameaça a estabilidade global e precisa ser combatida por meio de uma "ação coordenada internacional".

"Combater a fome é um desafio moral para cada um de nós, e (a crise) é também uma ameaça à estabilidade política e econômica das nações", afirmou Brown, em um comunicado, antes de se reunir com a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Josette Sheeran.

O líder britânico também disse temer o uso de terras agrícolas para a produção de biocombustíveis considerados "freqüentemente ineficientes para geração de energia".

"Precisamos olhar com atenção para o impacto no preço dos alimentos e no meio ambiente de diferentes métodos de produção e garantir que sejamos seletivos em nosso apoio", afirmou Brown.

"Se nossa análise mostrar que precisamos mudar nossa abordagem, vamos defender mudanças nas metas de biocombustíveis da União Européia", acrescentou o primeiro-ministro britânico.

Medidas "urgentes"

Antes do encontro com Brown, a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU disse que medidas "urgentes" são necessárias para estimular a produção de alimentos e ajudar a população pobre a enfrentar a alta dos preços.

Josette Sheeran disse à BBC que a agência da ONU fornece hoje alimentos para 100 milhões de pessoas que não precisavam de assistência há seis meses.

Um dos principais objetivos da reunião entre Sheeran e Brown é buscar um consenso sobre uma nova política da União Européia para a produção de biocombustíveis.

Os biocombustíveis são apontados como uma saída para os problemas causados pelas mudanças climáticas, mas ocupam terras cultiváveis e ajudam a pressionar o preço dos alimentos.

Em discursos recentes, os presidentes da Bolívia e do Peru fizeram alertas sobre o impacto da produção de biocombustíveis na vida da população pobre.

Custo

Na entrevista à BBC, Josette Sheeran enfatizou a necessidade de uma ação conjunta para conter o aumento global nos preços dos alimentos.

Sheeran disse que o preço do arroz na Ásia era de US$ 460 por tonelada no dia 3 de março. Sete semanas mais tarde, subiu para mais de US$ 1 mil por tonelada. Preços globais de trigo, arroz e milho quase dobraram no último ano.

Segundo a diretora do Programa Mundial de Alimentos, a crise requer ação em grande escala e em alto nível pela comunidade internacional, com foco em soluções de emergência e também de longo prazo.

Sheeran afirma que os gastos estão subindo milhões de dólares por semana, à medida que sobem os custos dos alimentos, e que, a curto prazo, a agência precisa de mais doações para suprir as necessidades alimentares dos que já dependem da organização.

"Hoje podemos comprar menos comida do que podíamos em junho - na verdade, 40% menos", disse.

A diretora da agência da ONU acrescentou que a comunidade internacional precisa dar atenção a todos os fatores que produziram o aumento dos preços.

"Certamente, os biocombustíveis são um dos fatores", afirmou. "É preciso que os especialistas se reúnam e vejam quanta comida é necessária e como garantir que as pessoas obtenham (o alimento) a preços sustentáveis."

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