quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Quem são os verdadeiros demônios?



Por Glauco Faria, da Revista Fórum

Lembra da Miriam Cordeiro? Ex-mulher de Lula, ela foi um dos principais cabos eleitorais de Fernando Collor de Mello quando apareceu na TV dizendo que o candidato do PT teria oferecido dinheiro para que fizesse um aborto. Isso às vésperas do segundo turno da eleição de 1989. Mas esse não foi um fato isolado. Na mesma época, os seqüestradores do empresário Abílio Diniz apareceram presos vestindo camisas do PT. Alguns jornais não titubearam e estamparam a manchete: "PT seqüestra Abílio Diniz". Depois, provou-se que haviam vestido os criminosos dessa forma para prejudicar Lula. Alguém foi punido?

O jornalista Chico Santa Rita, um dos responsáveis pela campanha de Collor no segundo turno do pleito de 1989, revelou que a baixaria poderia ser ainda pior. Segundo ele, na última semana de campanha, Collor entregou-lhe uma fita e ordenou que a utilizasse no programa daquele dia: Lula assistia ao fuzilamento de três prisioneiros por homens vestidos com roupas de guerrilheiros cubanos. Um técnico teria avisado que se tratava de uma montagem. Santa Rita chamou o comando "collorido" para avisar que se a imagem fosse usada sairia da campanha. A fita acabou não indo ao ar. Ah, sim! E a famosa edição do Jornal Nacional sobre o debate final do segundo turno?

Nunca foram poupados esforços para evitar a vitória de Lula. E a eleição de 1989 não foi a única. Em 1994, a hoje mais tranqüila Igreja Universal trabalhava fortemente contra o petista. Como já havia feito em 1989, por sinal, quando Edir Macedo disse que Lula era o candidato do demônio e perseguiria os evangélicos se eleito. Na primeira eleição contra FHC, as "acusações" da Folha Universal, jornal da igreja, eram de que Lula participava de rituais de candomblé, defendia o aborto e daria calote na dívida externa. Em uma capa, o candidato petista aparecia junto à bandeira do Brasil sem os dizeres Ordem e Progresso, que eram lembrados na manchete "Sem Ordem e Sem Progresso". Em 1998, a mídia deu muito destaque a uma história sobre um cheque que Lula recebeu pela venda de um carro Omega do advogado Roberto Teixeira, seu compadre. Como o cheque estava no nome do empresário Sérgio Lorenzoni (Teixeira simplesmente repassou para Lula o cheque que havia recebido de Lorenzoni) todas as especulações possíveis foram feitas pela grande imprensa. Nada de irregular foi achado. Aliás, essa pseudodenúncia foi levantada pelo petebista Campos Machado, então aliado dos tucanos. A história sobre o cheque foi revelada em julho de 1997 a Machado, que preparou o texto da denúncia, mas engavetou-a. O deputado demorou mais de um ano para entregar a representação à Procuradoria-Geral de Justiça, só fazendo a menos de dois meses das eleições presidenciais de 1998. Mera coincidência?

Pelo jeito, nessas eleições não vai ser diferente. Nos últimos meses, a candidatura Lula vem sendo bombardeada de todos os lados: primeiro, veio a perspectiva do apocalipse econômico promovido por parte da mídia e pelo governo, que sustentavam o mito de que os males da economia brasileira, a subida do risco-país e a desconfiança do mercado financeiro internacional derivavam exclusivamente da posição do petista nas pesquisas. Depois, de novo com a ajuda da grande imprensa, surgiu uma forma de terrorismo mais típica do oficialismo tucano: a Polícia Federal aproveitou o assassinato do prefeito da cidade de Santo André, Celso Daniel, para fazer escutas telefônicas em vários integrantes do partido ligados àquela gestão, episódio em que foram lançadas suspeitas até mesmo contra o presidente do PT, o deputado José Dirceu. Além disso, a Polícia Federal investigou, novamente por meio de procedimentos de legalidade duvidosa, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Desta vez, porém, o primeiro ataque da máquina que trabalha em favor da candidatura governista não foi dirigido ao PT, mas a um partido aliado. O PFL tentou lançar uma candidatura própria à presidência da República, a da governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Logo estouraram as denúncias que iriam derrubá-la. O país se espantou com o R$ 1,3 milhão espalhados na mesa do escritório da Lunus, empresa dela e do marido Jorge Murad. A ação da PF detonou as pretensões presidenciais da pefelista.

"Não posso cometer a leviandade de acusar alguém, mas é estranho detectar pontos de semelhança de atuação do governo nesse caso e nas investigações contra o PT", argumenta Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado de Roseana e do deputado federal José Dirceu. Segundo ele, na investigação contra a pefelista e os petistas, o Judiciário foi enganado para autorizar a atuação da PF. Para sustentar o que diz, Almeida Castro se apóia na informação passada pelo órgão à Justiça, incluída no documento que sustentou o pedido de busca e apreensão, de que a Lunus era acionária da empresa Nova Holanda – esta, sim, sob investigação legal em função do escândalo da Sudam. "Estou convicto de que os procuradores sabiam que os dados não eram verdadeiros, mas os usaram para conseguir a invasão da Lunus", garante.

Essa não é a pior parte da história. Castro afirma que conversas de Roseana foram grampeadas de forma ilegal. Para constatar se era verdade, o advogado fez alguns testes, simulando diálogos com a então governadora. "Em um deles, pedia para que ela não entregasse a lista dos doadores porque se ganhássemos o mandado de segurança não teríamos de nos manifestar sobre o que foi apreendido ilegalmente", explica Castro. Nessa mesma conversa, Roseana afirmava que tinha de entregar a lista devido a uma exigência de Jorge Bornhausen. "Após 15 minutos, recebi uma ligação e um jornalista já tinha conhecimento do conteúdo da conversa. E isso depois de o presidente Fernando Henrique Cardoso garantir, na casa do senador José Sarney, que Roseana não estava sendo investigada", completa Castro.

No caso da investigação da prefeitura de Santo André houve procedimentos semelhantes. "A Polícia Federal introduziu números de telefones que nada tinham a ver com a investigação do narcotráfico", esclarece Castro. E, se os suspeitos tivessem realmente algo a ver com tráfico de drogas, a lei prevê que o pedido tem que ser encaminhado a um juiz federal, não a um estadual. O presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu dá mais detalhes sobre a operação. "O inquérito que nós solicitamos para investigar a morte de Celso Daniel leva o número IPL 1-0005/02, de 22 de janeiro de 2002, e designa os delegados Hermes Rubem Siviero, presidente do inquérito, Marcelo Sabadin Baltazar e José Pinto de Luna para o caso. Em 24 de janeiro de 2002, o delegado Marcelo Vieira Godoy, figura estranha ao inquérito destinado a apurar a morte do prefeito, pede a escuta telefônica para ‘prevenir e reprimir o tráfico de entorpecentes’. Não há no pedido qualquer menção às investigações da morte de Celso Daniel", constata Dirceu. "Nesse caso, a Justiça foi enganada. Solicitou-se uma interceptação para investigar o narcotráfico e foram incluídos, nesse pedido, números de telefone de petistas, entre eles o do atual prefeito de Santo André, João Avamileno", completa.

Clauco Faria é jornalista da revista Fórum. Colaboraram Cláudia Motta e Luciana Ackermann

Comentário:

Edir Macedo era contra o aborto em 94 e contra a candidatura Lula.

Hoje, estranhamente, tudo mudou...

Edir Macedo agora apóia o aborto!

A sua empresa IURD e seu partido PL fizeram uma chapa que elegeu o comunista Lula.

Lula, ao que parece, parou de consultar os Exus. Parece que os Exus agora estão consultando o sr. Macedo...

Como se vê, a IURD não faz religião, mas faz políticagem da pior espécie!

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